quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma (dura) realidade




Foi com enorme prazer e grande surpresa da minha parte que numa simples fotografia no facebook voltei a encontrar grandes amigos e companheiros de lutas travadas dentro das quatro linhas!

Nomes como Fonseca, Zé Luis, Pedrito, Menezes, Paiva, Paulo Tavares, Rui Jorge, Pisco, André Neves, Zé Augusto e tantos outros fazem parte do meu livro de memórias de grandes tardes/noites de futebol em que talento abundava em cada um de nós.

A pergunta obrigatória nestes casos é sem sombra duvidas: O que é feito de ti!?

E é por aqui que começo. Por uma dura realidade. O futebol juvenil oferece-nos ilusões que mais tarde não são correspondidas. Olhando para os nomes mencionados em cima, era expectável que na maioria dos casos eu pudesse assistir do meu sofá ás defesas incríveis do Fonseca, aos cortes e elegância do Ze Luis, á magia do Pedrito, á polivalência do Menezes, á raça do Paiva, á classe do Paulo Tavares, á excelente colocação do Rui Jorge, á velocidade incrível do Pisco e ao magnifico pé esquerdo do André! Tantos anos volvidos o que a realidade nos mostra não é aquilo que sempre pensei que aconteceria...

A mensagem que quero transmitir é que as ilusões vividas hoje por atletas com 14,15,16 anos mesmo que sejam sustentadas num enorme talento têm de ser relativizadas por treinadores, empresários, pais e pelo próprio atleta.

Ás vezes não são os mais talentosos, os mais artistas os mais imprevisíveis que chegam ao topo. Chega lá quem trabalhar mais que os outros, quem amar o futebol, quem se dedicar ao treino e ao estudo do futebol. Chega lá quem estiver mais atualizado. Quem for mais competente! Quem entender o jogo!

Numa altura em que treino jovens com ambições legitimas não é fácil gerir algumas expectativas. Cabe me a mim fazer este alerta e explicar-lhes que todos estes meus grandes companheiros eram mesmo craques.

Por outro lado eu próprio tenho de aproveitar este exemplo que a vida me trouxe e ser mais forte e mais capaz do qualquer outro jovem que ambiciona chegar ao topo do futebol.

Resta-me voltar a frisar o enorme prazer que foi partilhar o futebol com estes grandes artistas e mandar daqui um forte abraço a todos!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Petizes, Traquinas, Prés-escolinhas e por aí fora...

O futebol deixou de ser um desporto para toda a gente. O que antes era talento virou um numero ao final do mês. E mesmo fazendo parte dos que lucram com "este" futebol moderno é impossível eu apoiar e estar de acordo com este novo projecto em que o futebol de (des)formaçao esta a ser conduzido.

Vamos por partes:

- A criação destes novos "escalões" do futebol são um atentado á criatividade, á liberdade, á fantasia e á inteligência dos jovens meninos.

- A presença destas crianças em treinos de futebol são pura e simplesmente um pretexto para lucros de alguns visionários, inclusive gente com responsabilidade no desporto nacional.

- O treino leva a uma "robotização" inqualificável destes meninos que apenas e só deveriam brincar com a bola e eles próprios serem os donos das regras.

- A especialização, o enquadramento, a abundância de regras leva a que no futuro tenhamos maquinas e não génios.

O futebol nacional já esta a pagar a factura deste projecto que lentamente entrou pelas nossas cidades e vilas com a criação destas milhares de academias cujo único objectivo é ou são as mensalidades. A falta de talento é gritante, a falta de recursos técnicos e de resolução de problemas é escassa nos nossos relvados e o caminho terá tendência a ser mais negro.

Soube há dias que umas das equipas grandes do nosso futebol viaja as quartas feiras para os bairros sub urbanos em busca de "talento". Descobriram a pólvora!!

O talento, salvo raríssimas excepções, está nos locais onde o futebol ainda é jogado sem sapatilhas ou sem recurso a chuteiras da ultima geração. O talento existe, ele está bem á vista de todos nós. Mas será o talento mais importante que uma mensalidade? Para mim é.

Deixem as crianças serem as donas do jogo, as donas das regras, deixem que o erro apareça, não temam o erro, passem por várias posições no jardim perto da casa onde moram, deixem que a baliza sejam duas árvores e que o meio campo seja medido a olho! Cinco contra cinco; dois contra dois, tanto faz o que importa é improvisar e deixar que o futebol volte ás suas origens...

As regras, as noções elas vêm mais tarde, até lá deixem acontecer o que sempre aconteceu em cada esquina da nossa rua.

O Futebol nacional precisa urgentemente de pensar O FUTEBOL!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Com destinatarios identificados...e alguns por identificar!


 ..."se ele teria sucesso desportivo ou se algum dia ganharia alguma coisa nunca foi prioridade no meu pensamento! Obviamente que não vou dizer que não gosto de ver a equipa dela ganhar, que me é indiferente se ganham ou perdem, claro que não! Mas isso são alegrias/tristezas de momento! O que se ganha é muito maior que os resultados! Já tenho a certeza que ele é uma pessoa melhor por ter passado (e ainda estar) por este desporto e tenho também a certeza, que um dia, daqui a uns anos, o que ela mais recordará serão as amizades, as experiências, os sentimentos, as emoções especiais e não os resultados pois esses podem sempre consultar-se numa folha de papel!" (texto escrito por um Pai algures numa bancada de um qualquer clube/academia de futebol jovem).

Que triste fico quando ouço pais a gritarem barbaridades sobre os miúdos e sobre os treinadores e as suas escolhas e opções tácticas e técnicas!

Mas afinal quem sao os pais para estarem a destruir e a “minar” o trabalho de pessoas que, muitas vezes apenas por gosto e carolice, fazem com que os seus filhos se tornem bons atletas mas, mais do que isso, boas pessoas? Que exemplo e que valores passam aos seus filhos quando dizem alto e bom som que os seus treinadores são incompetentes ou que os seus colegas não jogam bem, etc.! Quem sao eles para desdenhar e desfazer no tempo que estas pessoas oferecem e dedicam aos seus filhos?

Como podem os pais “avaliar” o trabalho dos treinadores pelo tempo que os seus próprios filhos jogam, que critério é esse? Claro que é normal sentir alguma frustração quando os proprios filhos não jogam, ou jogam pouco, mas com que direito descarregam essa frustração em tudo e em todos, minando o ambiente de bancada e, consequentemente, o ambiente da própria equipa? Que valores estarao a passar para aos vossos filhos quando, no fim de um jogo que correu menos bem dão a entender que “os outros, os que jogam mais tempo, perderam o jogo!” Mas quais outros? Numa equipa não há “outros”, não há responsabilidades individuais nem pelas derrotas, nem pelas vitórias, uma equipa é um Todo e só funciona se todas as partes desse Todo estiveram em sintonia, puxando para o mesmo lado, lutando pelo mesmo objectivo! E voces, pais, deveríam também fazer parte desse Todo, deveríam estar também em sintonia e fazer o vosso papel na bancada que é APENAS apoiar e defender a equipa.

Aos pais que pensam estar a “defender os seus filhos” com estas atitudes, pergunto: Como farão quando eles crescerem e tiverem desilusões e frustrações nas várias áreas da sua vida: amorosas, académicas, profissionais…? Como estarão eles preparados para lidar com as “adversidades” que surgem ao longo da vida? Se há coisa que o futebol ensina é a saber ganhar e perder, é a não baixar os braços e muito menos a cabeça, é trabalhar sempre mais e melhor, por nós próprios mas, principalmente, pela equipa! O que ganharão os vossos filhos ao “agarrarem-se” a desculpas, criadas nas suas cabecinhas com apoio dos pais, de que são umas vítimas pois os treinadores ou são incompetentes ou embirram com eles ou não gostam deles acabando isso por influenciar a sua atitude em treino e em jogo, mostrando desinteresse, desmotivação e até parecendo que estão a fazer “um frete” ou ainda numa atitude de “gozo” ou provocação…! Jogam pouco? Só têm um remédio: trabalhem mais, entreguem-se mais, dêem tudo o que têm, provem que merecem jogar mais!

 Os vossos filhos estão num desporto colectivo, pelo que, apoiá-los é também apoiar a sua Equipa! Se não o conseguem fazer, porque o/a vosso/a filho(a) não está a jogar, talvez seja melhor remeterem-se ao silêncio, ou até, porque não deixar de assistir aos jogos? Ou entao, numa ultima escapatoria, porque nao coloca-lo num desporto individual onde ele passa a ser o centro das atençoes!?

Se assim for vao ver que já não será preciso enviar recados pelos próprios filhos e terão a certeza absoluta que o pagamento mensal vai resultar numa TITULARIDADE INEQUIVOCA em qualquer pista de atletismo ou court tenis de Portugal.

Faço questao de assinar para que nao haja duvidas do autor do post.

Rui Cunha, treinador de futebol da academia Sporting Alfena Benjamins A, Pre-escolas. Treinador sub-17 Alfenense.






terça-feira, 18 de junho de 2013

O treinador da formaçao e algumas das suas dores de cabeça...

Um modelo de jogo condiciona um modelo de treino, um modelo de exercicios e um modelo de jogador, onde as caracteristicas individuais dos jogadores sao determinantes na definiçao desse modelo de jogo.

Nao podia estar mais de acordo com a analise. Mas como pode um treinador da formaçao em determinados momentos e situaçoes aplicar ou tentar aplicar o seu proprio modelo se nao conhece, nem pode contratar jogadores com caracteristicas que encaixem no seu modelo/ideias de jogo?

O modelo de jogo em alguns escaloes/equipas vai se construindo ao longo do ano, o que dificulta e altera toda uma organizaçao mental do treinador.
O trabalho na formaçao devia ser muito mais reconhecido e respeitado. Por vezes acontecem verdadeiros milagres.

Respect!!





sexta-feira, 14 de junho de 2013

A base. Um dos segredos do sucesso.

A recepção está muito longe de ser um promenor num jogo de futebol. A recepção é o principio e o fim da base do jogo, o passe. Senão vejamos:

a) a qualidade do passe depende em grande medida da recepção que o antecede;

b) a qualidade de um passe depende em grande medida da recepção de quem recebe a bola.

Importa também não associar a recepção a apenas uma forma de jogar. De facto  ela é transversal a todos os modelos e dinâmicas de jogo: não ha duvida que uma equipa que utilize um estilo mais directo ou de "bola longa" depende muito da capacidade de recepção dos seus atacantes.

Não ha, portanto, duvida que com a melhoria substancial das performances defensivas das equipas em todas vertentes do jogo, a recepcao deve ser apurada e trabalhada afim de se tornar uma arma. Controlar a bola é muitas vezes ter o controlo do jogo, e muita dessa capacidade depende da recepção. Essa máxima tem provado ser um dos caminhos para o sucesso.

Zidane foi para mim o melhor tradutor desta base fundamental do futebol mundial.




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Um problema. Nenhuma resolução. A continuação da farsa!

Uma breve reflexão:


Ou esta:



Depois das imagens e ainda antes da reflexão, eu queria deixar uma pergunta.Com este ou estes quadros competitivos quem sai a ganhar?

Ou melhor: Quem é que nunca ganha?

A minha analise é simples. Muitos perdem e só um ganha. Quem lucra? Ninguém. As provas nacionais ou distritais no nosso país sÃo uma mentira.
Isto tem um reflexo notório nas escassa produtividade das nossas selecções jovens e no jejum de títulos europeus. Nada acontece por acaso, e a falta de competitividade em escalões mais jovens tem ou já esta a ter um impacto enorme nas nossas selecções e no próprio valor dos campeonatos.

Será que ter os melhores dos melhores é benefico para o crescimento dos proprios atletas? Nao seria bem mais interessante fortalecer os adversarios e gerar um campeonato muito mais justo e competitivo? Nao seria mais interessante (ate para ter a certeza da sua evoluçao) resgatar os jovens em idades sempre superiores aos 14, 15 anos? 


Este resultado é repetido vezes sem conta em provas Nacionais. Nao vou ser eu que vou mudar o futebol tal como ele existe, mas nao pactuo com este modelo que se baptiza de formaçao. Olhem para o exemplo Espanhol. Equibrem, e os frutos serão escolhidos de forma mais acertada e todos sairão a ganhar!